Vencedores que não ganharam

     Na minha adolescência jogava basquete na escola, eu era ala-armador. Pelo menos achava que era, mesmo sendo banco. Lembro-me que...



     Na minha adolescência jogava basquete na escola, eu era ala-armador. Pelo menos achava que era, mesmo sendo banco. Lembro-me que, certa vez, minha escola tinha ganho o campeonato da minha cidade e estávamos jogando entre cidades. Naquela tarde fomos jogar em uma cidade rival, vizinha a nossa. Ia começar o segundo tempo e o técnico falou que eu ia entrar. Fiquei muito nervoso, pois tínhamos que ganhar aquela partida.
    O basquete não é como o futebol que, quando vai começar, cada time fica de um lado da quadra, ficam todos misturados. Quando a bola foi jogada para o alto, o meu time pegou a bola, um foi passando para o outro e de repente o melhor do nosso time me olhou nos olhos e me passou a bola com tudo. Não pensei duas vezes, sabia que meu alvo era ganhar, por isso peguei aquela bola e sai em disparada em um contra ataque. Quando passei o meio da quadra e olhei para trás para ver onde estava o meu marcador, vi os dois times parados olhando para mim com um ar de quem não estava entendendo nada. Quando reparei estava correndo para a cesta errada, para minha própria tabela. Que vergonha foi a vaia que tomei naquela tarde.

    Sempre me ensinaram que ganhar deveria ser o meu foco, até mesmo na igreja. Pois afinal de contas “somos mais que vencedores em Cristo Jesus”(Rm 8:37).

    Sempre entendi que ser mais que vencedor, era ser um SUPER vencedor, um vencedor incontestável, um cara que ganha com uma vantagem incontestável. Mas o problema é que, não só no basquete, mas em todas outras áreas na minha vida eu não era assim. Ao contrário, era mediano em muitas e em outras, um desastre.

    Com esta pressão, focava minhas forças ainda mais na vitória, em ganhar e ser o melhor. Para o meu desespero, em meus pontos fracos, me afundava ainda mais.

    Foi quando li uma outra passagem de Paulo em que, no final de sua vida, ele fala “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. (IITm4:7)”. Preste atenção, pois Paulo não fala ganhei o combate, ganhei a corrida e movi montanhas com a fé.

    Ai eu entendi, que para Paulo, ser mais que vencedor é ser vencedor na derrota, nas dificuldades.

    Nunca me esqueço quando o maratonista Vanderlei Cordeiro foi agarrado por um fanático nas olimpíadas e perdeu a medalha de ouro. Todos ficaram indignados e reclamaram muito, queriam até uma segunda medalha de ouro para ele. Mas ao ser entrevistado parecia que nada tinha acontecido, ele estava tão feliz por ter chegado em terceiro lugar agradecendo a todos que tinham ajudado ele a chegar lá. É tão constrangedor e bonito a atitude de felicidade de alguém que acabou de perder.

    Nos dois contextos Paulo está descrevendo perseguições, dores, momentos de humilhação e até derrota. Mas quando ele olha para o amor de Cristo Jesus percebe que mesmo com tudo isso, somos mais que os vencedores das corridas e das lutas, somos vencedores que não ganharam.

    Se entendermos isso, não focaremos a nossa vida no golpe final da luta, tampouco em ter uma fé poderosa ou em chegar primeiro na linha de chegada. Mas sim em correr direito passo a passo fazendo a sua parte. Sem soberba, mas com o sorriso no rosto de quem já ganhou independente do resultado.


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